A tarde estava coberta de uma magia ímpar. Apesar do ambiente triste do hospital, os nossos narizes vermelhos pareciam preenchidos por uma luz especial que fazia menores as nossas dificuldades e maior a nossa capacidade de encontrar, naquelas pessoas, qualquer réstia de alegria que guardassem na cripta misteriosa de seus corações.
No entanto, aquela senhora, para mim, era um enigma. Os olhos diziam muito pouco. O corpo inerte contava de um cansaço profundo. Por vezes os acompanhantes sofrem tanto quanto os pacientes... Nas mãos juntas e trêmulas a paciência dava lugar à escassez de esperança. E sobrava tanta escassez que me acreditei incapaz de qualquer ajuda. Fixei os olhos na mulher e vi algumas lágrimas cobrirem meus olhos. De súbito minhas vistas se desfocaram e por detrás da mulher, surpreso, vi um belo jardim, que se erguia além da janela do hospital. Sem titubear, corri de encontro àquela visão. Uma única e pequena flor, na ponta de um galho mais alto, estava, caprichosamente, à altura da janela...
Ao receber a flor, a cabeça da mulher se ergueu, os olhos se encheram daquelas mesmas lágrimas que cobriram os meus e ela se atirou em mim, em abraços fortes, sufocantes, agradecidos, molhados, que diziam entre suspiros: obrigado, obrigado, essa flor é a esperança, agora sei que minha filha vai melhorar, agora sei!
As lágrimas que caíram dos céus, a flor que brotou da terra e a certeza de que mesmo o menor, pode intermediar o amor de Deus."
Dr. Fiapo - caso real
Oooooh.... até arrepiei.... É a presença de Deus na nossa vida!!! Que maravilha!!
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