sábado, 14 de julho de 2012

Janela

Janela...


Vai garota, já nela! Debruça-te e vê o mundo como é: caleidoscópico, curvilíneo e atrativo, expansivo e retrátil. Então, retrate-o para que eu possa entendê-lo um algo mais! Só consigo com uma oração.

Ora, pensa que com meia-dúzia podes algo? Pensa e debruça-te no parapeito de minhas idéias de fora, mas mergulha, por favor, esses olhos nas cores dessa paisagem de dentro e vai um pouco além. Quando dessa época – porque sei que não é imediato tal mergulho – deixa que escorram as cores dos seus dias e mistura com os meus. Sei que se farão novas cores na grama de minhas paisagens e nos sentiremos maiores, naquele átimo. Átomo a átomo: mistura, mistura, já sinto um sol mais quente com o vento fresco, os pés na grama molhada e a pela suada sobre os metacarpos, joelhos arqueados, uma praça desenhada por um arquiteto russo e aposentado, que vivia com sua filha única em uma casa de três cômodos até que ela faleceu, tua pele lisa-desenhada, os desenhos disformes da calçada e o cego gritando a sorte da Quina ou da Sena... Uma cena que já é música pra nossos ouvidos de Beethoven!

Enquanto isso, vou espalhando os destroços pelo chão, vendo um a um, tal qual às figurinhas que eu trocava quando criança, só pra descobrir outras novas.

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