sábado, 14 de julho de 2012

Pergunta de segunda-feira

Em meio aos estrondos da reforma pela qual passa a casa onde vivo, ocorreu-me uma pergunta, na última segunda-feira, daquelas que entram se esgueirando, sem perguntar e vão logo importunando nosso dia: E se a casa caísse?

Ao primeiro contato com a intrusa em minha mente, logo as sinapses foram proporcionando aquele velho encontro entre o que sabemos e o que de novo aparece:

- A casa não vai cair. Temos boas estruturas, pense em algo mais útil.

Simples? Caro leitor, as perguntas de domingo são “as perguntas de segunda-feira”.
As sinapses vão fazendo o seu trabalho ao passo que a parte jovial do cérebro vem conhecer a visitante e a convida para entrar um pouco mais.

- E então, a casa está prestes a cair. Os barulhos estão aumentando, uma rachadura se formou repentinamente. Talvez dois minutos de pé.

As sinapses contrariadas e já sem forças procuram alguma resposta ao que agora parece um fato:

- Certo. Pode ser que aquela simples infiltração no banheiro fosse só uma das infiltrações. Ou ainda, aquela velha história sobre um grande brejo que havia por aqui, bisavô com pressa para construir a casa rápido porque o bebê estava chegando, pouco dinheiro, afinal, as fraldas do bebê...

E num instante, “pergunta de segunda” e sinapses juntas: Vamos saindo e cada um salva o que puder do que é seu!

Ah, mas é só um minuto? E lá vem a enxurrada de conjecturas.
Num segundo vejo as vozes da família toda correndo o ar e alguém agarrado à TV nova, com suas três primeiras prestações pagas! Outro procura a chave do cofre, um grito quase silencioso: “Ah, meu Deus, alguém pega meus livros!”, cinquenta segundos, um violão voa pela janela, “Aaaaaaaaaarranquem o HD do computador”, “Meu perfume de Natal”, vinte segundos, “Papaaaai pega o Billy!”, “Minha caixa de recordações e nada mais, corre, corre!”, parte do telhado começa a ceder, “A gavetaaa! A gaveta com as fitas do Pink Floyd”, “Trouxe meu cabideiro?” “Está caindo?”, pronto e ponto.

E eu, o que faria? É pequena a decisão, mas as implicações de uma resposta qualquer são profundas pra minha mente inquieta. Dizer que salvaria minhas recordações poderia ser saudosismo extremo, minha mochila: burrice, o computador: alienação...

Acho que a pergunta ainda habita por aqui, porque não encontrou alguma resposta-metade temporária pra lhe satisfazer. Pra não ficar sozinho na situação, passo pra frente “a pergunta de segunda”.


Mas não se avexem, compartilhem também as suas conjecturas!
Um abraço,

Nenhum comentário:

Postar um comentário